sinaloa
no último semestre, entre tantas outras coisas, numa matéria sobre literatura fantástica & modernidade, pediram-nos um conto. fui pra rua escrever. Sinaloa não é um conto, mas é quase: uma espécie de relato de campo de uma deriva que fiz no dia 17 de dezembro. ou um ensaio sobre interrogações.
Acaso robôs têm natureza búdica?
Não sou o primeiro a questionar o potencial para a iluminação de máquinas aptas ao teste de Turing, e tampouco o último a ficar intrigado com suas respostas. Mas após certos pensamentos e reflexões, cujas reminiscências terão seu espaço mais adiante, me vi obrigado a buscar pistas no cadavérico bafo de bits em ASCII de uma robô morto-vivo (feminina, sim, e esverdeada), cujo nome há de ser uma corruptela da palavra francesa esmée – “amada” ou “estimada”.Anatman: What is desire?
Esme: Sinaloa.
Anatman: I don’t get it.
Esme: Obviously a path to nowhere. What is meaningful to thee?
retrato da igreja do rosário
um texto que surgiu de lembranças de dois janeiros distintos nas imediações e/ou na própria da igreja do rosário, no interior de SP. é, de fato, um exercício de memória que se pretende retrato enviesado & pouco objetivo, como deve ser.
presunção
Na praça do rosário soava a badalada da uma da manhã. Depois, a mesma, da uma e meia. Com a rua deserta, éramos três: Jayme Londrina, eu e o sujeito do sino. Talvez um padre, talvez um estagiário, que nos convenceria de qualquer horário puxando a corda do sino.
gil lancaster
abrindo os trabalhos & afiando a navalha, eis Gil Lancaster, a breve história do gato que caiu da janela e foi se meter de cabeça & cachaça no (sub)mundo curitibano.
1. Tapete de Entranhas
Sou um gato preto branco doméstico. Não sofro de grandes emoções para além de certa bipolaridade. Da janela do sétimo andar, vejo tudo. Não conheço nada. Nunca saí de casa. Assisto muita televisão. Dona Lourdes me afaga quando se lembra. Sempre. Esquece que já me esfregou os anéis atrás da orelha e o faz de novo, o dia todo, da Ana Maria Braga à Fátima Bernardes. Às vezes belisco uns comprimidos da velha pra aguentar o tranco. Tenho um canto no sofá e uma almofadinha de tricô. Meu ronronar é carburado e minha ração, ansiolítica. Sinto-me casado.
literatura de banheiro
o homem, tal como o cão, deve escolher um canto pra mijar.
escolhi este aqui.
não é tanto uma latrina strictu sensu, quanto também não se trata exatamente de um blog. diria talvez que esta navalha é como a relação dialética entre um urinol e um portfólio literário. mas: literatura de banheiro, sem grandes pretensões.
navalha é tão somente nome & ferramenta. projeto em andamento & deriva.
estamos apresentados.
olá.
está proibido o pudor.

